26/11/2017

Sapphire: Chapter 5 - Yes

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Quando Sapphire cruzou as portas do quarto horas mais tarde, Kimberly estava esparramada na cama assistindo a um filme de terror na Netflix e não teria desviado sua atenção da tela se a amiga não tivesse bufado audivelmente, passando a andar de um lado para o outro do cômodo apertado de forma irritante.
            — Hum… olá? — Kim murmurou, pausando o filme, mas a garota não parou, fazendo-a revirar os olhos. — Sapphire, você quer parar de tentar abrir um buraco no chão e me contar o que houve?
            — ELE ME BEIJOU — grunhiu, o que fez a outra arregalar os olhos, assustada — Aquele filho de uma… Argh!
            — E qual é o problema, amiga? Meio que estávamos esperando por isso, certo? — Kimberly disse despreocupada e a outra hesitou por um instante.
            Desde que o vira pela primeira vez, com seus olhos claros, cálidos e lascivos e seu lábio inferior rosado e voluptuoso entre os dentes enquanto ela movia seu corpo, ela se pegou imaginando suas mãos correndo seu corpo, os lábios contra os seus. Mas era diferente agora. O beijo era melhor do que pensava, mas a confusão que o acompanhava era bem maior também. Ela não queria se envolver naquilo.
            — Ele é casado, Kim — ela disse, enojada dele e de si mesma. — A esposa dele é linda, fina e por pouco não me encontra com o marido dela, na casa dela. Eu jamais vou deixar esse cara tocar em mim outra vez. Não quero vê-lo novamente.
            — Ah, mas você vai, afinal, vocês estão trabalhando juntos — Kimberly disse simples, não parecendo nem um pouco afetada pela informação e ao perceber que Sapphire notara isso, a mesma virou de barriga para cima na cama em sua enorme camiseta e calcinha apenas. — Sapphire, nosso público é quase que cem por cento composto por caras casados. Inclusive, Justin estava usando aliança quando se reuniu conosco, pensei que tivesse visto.
            — Eu não teria beijado ele se soubesse! — Sapphire disse magoada por não ter sido avisada.
— Pense comigo, se ele acabou aqui, provavelmente o casamento não deve estar indo bem. Ninguém come na rua se tem comida boa em casa — Kimberly disse e aquela analogia barata de alguma forma inquietou Sapphire. — Bom, o que pode fazer agora é superar, querida. Vocês ainda têm outras sessões para fazer — disse, despausando o filme e Sapphire teria retrucado, se ela não prosseguisse: — Você está fazendo isso pelo Connie, lembra? Para tirá-lo daquele colégio de merda. Está fazendo isso para recomeçar longe dessa espelunca. Você precisa do dinheiro.
Kimberly estava certa e Sapphire odiava aquilo. Odiava muitas coisas naquele momento, especialmente estar de mãos atadas. Ela estava presa a ele de uma forma ou de outra. Por fim, cansada depois de andar desde o apartamento até a boate sem olhar para trás e ainda andar quase um quilômetro dentro do quarto, arrancou a ridícula peruca negra e se jogou na cama, mirando o teto. Ela sabia que o veria naquela noite, sabia que ele estaria lá para convencê-la a ir em frente com o contrato e sabia que quando estivessem frente a frente, suas pernas ficariam trêmulas, o coração acelerado e ela o desejaria como um assassino com sede de sangue. Mas ela não cederia. Sapphire tinha o espírito livre e se sentir presa lhe incomodava.
— Desgraçado… — murmurou, antes de levantar, inquieta.
Sem mais uma palavra, trocou de roupa, colocando uma calça de moletom cinza e regata branca. Prendeu os cabelos num rabo de cavalo alto e apertado e pegou o rádio no canto do quarto, levando consigo. Kimberly não se mexeu. Sabia que naquele momento, não conseguiria acalmá-la.
A área de ensaios estava sempre lotada. Garotas se contorcendo em postes ou rebolando até o chão em todos os cantos e nenhuma delas gostava de Sapphire. Nenhuma delas gostava de ser o show de abertura antes da atração principal. Melanie estava lá, com os mesmos movimentos batidos e olhou Sapphire como se pudesse parti-la ao meio apenas com a força da mente. A garota, por sua vez, apenas sorriu ladino, afrontando-a. De qualquer modo, ela queria criar uma coreografia para aquela noite, estava decidida a levar Justin ao seu limite e mostrar que ele deveria ter cuidado ao brincar com fogo e não conseguiria com todo aquele agouro.
Girou nos calcanhares e estava prestes a seguir em direção às escadas quando esbarrou em alguém que quase derrubou a enorme caixa que carregava, escondendo parte do rosto. Ela gritaria com quem quer que fosse naquele momento, estava estressada e à beira de uma explosão, mas quando viu os conhecidos cabelos alinhados num topete perfeito e braços fortes expostos em uma regata branca, respirou fundo, se contendo.
— Oh, merda! Desculpe Sapphire, eu estava distraído — Brian, um dos barmen da casa disse, e a garota suspirou, balançando a cabeça de um lado para o outro, dizendo que não havia problema, mas ele via claramente que ela não estava em seu melhor humor. — Dia ruim?
— Péssimo. Mas não quero falar sobre, fique tranquilo — fez piada, afinal, ele estava sempre ouvindo os problemas de todos os caras que passavam pelo balcão.
— Se precisar de qualquer coisa, pra você eu abro uma exceção — disse, seguindo para o balcão e Sapphire tentou muito não olhar o físico do rapaz enquanto ele estava de costas, mas não foi bem sucedida.
Naquele momento ela teve uma ideia e mordeu o lábio inferior sem saber o que fazer com ela, de modo que apenas seguiu o rapaz e passou a ajuda-lo em silêncio a colocar as garrafas que estavam na caixa, na prateleira. Quando ele colocou a última, virou-se para ela e tombou a cabeça para o lado.
— Vamos lá, querida —  ele disse e ela continuou o encarando. — Sapphire, eu sei que quer me pedir algo. Vá em frente.
Brian estava no Sapphire Gentlemen’s Club desde que tinha 16 anos e agora tinha 22. O pai era alcóolatra e batia na mãe que aceitava tudo em silêncio. Ele não aguentava mais ver aquilo e quando desafiou o homem, foi expulso de casa, enquanto a mulher chorava num canto, impotente. Ele bateu em várias outras portas antes do clube, mas ninguém queria empregar um adolescente. Mas Benny não dava a mínima. Ele pagava propina para a polícia para manter a casa funcionando. Lá dentro não havia apenas trabalho infantil, mas prostituição, tráfico e consumo de drogas, entre outras coisas ilícitas. E ai de quem o denunciasse…
Sapphire mesmo começou a trabalhar ali aos 17, dois anos antes.  E Brian era um dos poucos veteranos que se importava com ela, além de Kimberly. Tudo o que ele via nela era uma garota sem saída, assim como ele fora. Agora ele podia deixar o clube, mas tinha se acomodado com o emprego que pagava o flat onde morava e um pouquinho mais.
— Não me chame de “querida”. É assim que você chama todas as garotas com quem já dormiu aqui… ou seja, todas elas — Sapphire disse e ele revirou os olhos sem dizer nada. Não negaria, ele realmente tinha transado com várias delas. Mas Sapphire lhe parecia pura. Ele não investiria nela. — Enfim, preciso de um parceiro para ensaiar minha coreografia.
— Sua apresentação não é solo? — ele arqueou uma sobrancelha e ela sorriu.
— Não hoje.

De: Justin Bieber
Data: 24 de novembro de 2017 01:13
Para: Anna Wintour
Assunto: De seu interesse. Abra!
Querida Anna,
Sei que não estivemos em bons lençóis nos últimos tempos. Eu te deixei na mão e você me deixou na rua. Mas creio que seja tempo de deixar isso no passado. Eu preciso do meu cargo de volta e bem, pelas últimas edições, vejo que a Vogue americana precisa de mim também. Sendo assim, anexo a este e-mail a última sessão que realizei com uma modelo desconhecida. Tenho plena confiança no potencial dessas fotos e caso pense o mesmo, ficarei feliz em negociar.
Abraços,
Justin Bieber.

Ele apertou o botão “enviar” e se recostou à cadeira. Depois que ela saiu desesperada do apartamento, ele seguiu com seu inseparável copo de whisky para o escritório e passou a tratar as fotos num programa de edição de imagens, embora elas quase não precisassem de correção. Ele queria que parecessem o mais naturais possível. O fez rapidamente, em poucos minutos e então as anexou ao e-mail que escrevera da mesma forma. Havia uma de suas alfinetadas que Anna apreciava por serem ousadas. Ela costumava amar seu trabalho e deixava aquilo bem claro. Ele sabia que ela abriria o e-mail imediatamente, assim que o visse na caixa de entrada. Ele levaria as fotos pessoalmente, porém era covarde demais para enfrentar um “Não” cara a cara.
— Hey — uma voz fraquinha soou da porta e ele, assustado, fechou o notebook com força.
Ao erguer seu olhar, encontrou sua mulher. Os cabelos que estavam sempre presos em imponentes penteados lhe caíam sobre o rosto, os pés descalços, a camisa social entreaberta. Ela não questionou o que ele via no computador, imaginando que poderia ser pornografia, afinal, eles não se tocavam há muito tempo. Ele, por sua vez, não questionou o que ela queria de modo que ficaram se encarando por um longo tempo.
— Eu… pensei em pedir comida japonesa hoje. Eu não gosto muito, mas sei que você adora — ela murmurou, fitando os próprios pés.
— Erm… — ele não queria magoá-la. Não quando ela estava disposta a fazer algo legal pelos dois. Mas ele tinha que resolver as coisas com Sapphire também. Lhe incomodava que ela pensasse mal dele, era sua modelo afinal… ou era o que ele gostava de pensar para se sentir menos culpado. — Ainda faltam algumas fotos a serem selecionadas para a campanha do Chris. Sinto muito, meu amor.
Ela continuou em silêncio, fitando seu rosto, procurando qualquer vestígio de mentira em sua expressão, mas não encontrando, deu de ombros e caminhou até o marido, se curvando sobre a mesa para selar-lhe os lábios, mas quando o fez, torceu os mesmos em desgosto pelo gosto de álcool. Depois disso, se afastou e deixou o cômodo, seguindo diretamente para seu quarto. Estava ficando cansada de tentar.

Nas extremidades da boate haviam quartos para as strippers que não se sentiam confortáveis levando clientes para os quartos onde dormiam. A maioria delas não se importavam, de qualquer maneira. Os quartos possuíam espelhos em todas as paredes, um palco e uma cama redonda no centro. Normalmente aquilo dava arrepios em Sapphire, mas quando precisava de um lugar calmo para ensaiar, sempre acabava recorrendo àqueles espaços.
Ela se abaixou junto à tomada e então ligou o rádio, já procurando pela música que tinha em mente. Logo ouviu Earned It – The Weeknd começar e sorriu, se levantando e alcançando a cadeira encostada à parede, passando a arrastá-la lentamente enquanto os toques da música se estendiam juntamente a voz do cantor. Quando enfim a música realmente começou, ela se sentou de costas na cadeira, estalando os dedos da mão direita no ritmo, os braços acima da cabeça. Então apoiou as mãos na cadeira e jogou os quadris para trás, levantando da mesma junto à batida. Tornou a se sentar em seguida, de frente e abriu e fechou as pernas, erguendo-as e passando-as de um lado para o outro. Girou novamente e apoiou o peito no encosto enquanto se segurava e inclinava o corpo para trás, os cabelos balançando suavemente como uma cascata azul. Ela deslizou para frente e para trás com os quadris, lentamente enquanto Brian não conseguia desviar seu olhar ou sequer respirar normalmente.
Aquilo era uma tortura para o rapaz. Ele estava quase perguntando onde entrava naquilo quando como se lesse sua mente, ela se levantou e caminhou até ele, devagar. Num movimento mais brusco, o puxou pela regata, o levando até a cadeira e o empurrando, obrigando-o a sentar. Então rodeou-o, com a mão sempre acarinhando seus ombros e enfim parou em sua frente, tocando suavemente o próprio corpo, contornando suas curvas e sem avisos, se sentou em seu colo.
A respiração de Brian ficou mais forte, pesada, enquanto ela deslocou o quadril para frente e para trás. Cause, girl, you're perfect (girl, you're perfect) / You're always worth it (always worth it). Ela girou os quadris lentamente, enquanto ele segurava sua vontade de tocá-la. Ele sabia que não deveria, era Sapphire afinal, a única que ele achava pura. O lábio inferior estava preso entre os dentes e a cabeça tombada para trás, enquanto ele sentia seu corpo tendo reações involuntárias e constrangedoras. And you deserve it (and you deserve it) / The way you work it (the way you work it). Ela girou o corpo e à sua frente desceu até o chão e subiu novamente, apenas para se sentar novamente em seu colo, de costas, e segurando docemente seu rosto, rebolou no ritmo, até o fim da música.
— O que achou? — a voz dela soou normal, quebrando toda a tensão no quarto e ele gaguejou, as mãos no colo, tampando uma parte específica.
— Achei ótimo… q-quer dizer. Os clientes vão gostar. É uma ótima coreografia — ele não olhava para ela enquanto dizia, mas ergueu seu olhar para vê-la sorrir orgulhosa e bater palmas animada.
— Obrigada. Agora vamos, vamos ensaiar mais uma vez — disse, caminhando até o rádio para a voltar a música.
O rapaz se largou na cadeira, sem escapatória, se perguntando se ela não notara o que havia feito com ele. A única conclusão a que chegou foi a que Sapphire era pura, sim. Não havia muita malícia em sua cabeça, mas na dele em contrapartida, havia muita e ele se imaginava jogando-a em sua cama de inúmeras maneiras diferentes.                 

Naquela noite Justin se arrumou como há muito tempo não fazia. Colocou uma camisa social branca, mas manteve alguns botões abertos, deixando à mostra as tatuagens que cobriam o peito. Desentocou do armário uma calça jeans e seus antigos Vans pretos. Ele se olhou no espelho e fitou os cabelos milimétricamente organizados e os óculos de grau e então se sentiu patético. Não era como se ainda tivesse 18 anos. Justin era um adulto, faria 30 em um mês e estava agindo como um adolescente.
Por fim, decidiu tirar os óculos e colocar as – até então aposentadas – lentes de contato. Elas incomodavam, ardiam, mas ele queria parecer legal. Legal como Christian. Embora tivessem a mesma idade, ele agia de forma descontraída o tempo todo, sem parecer forçado. Justin queria passar uma boa imagem para Sapphire. Não queria ser lembrado como o profissional idiota que a beijara. E que queria beijar de novo. Ele se perfumou, bagunçou os cabelos como se fosse natural, pegou as chaves do carro e sem se despedir da esposa, seguiu pelas ruas de Vegas, rumo ao Sapphire Gentlemen’s Club.
Toda vez que entrava naquele lugar se sentia como um criminoso. Sempre lhe parecia errado, impuro, pecaminoso. As strippers seminuas sempre lhe recebiam na entrada como em uma disputa entre comerciantes, cada uma querendo provar que seu produto era o melhor. Mas elas não lhe excitavam, pelo menos não tanto quanto a joia mais preciosa da coroa do clube.
Ele seguiu direto para o bar, comprou uma garrafa de whisky e pretendia seguir para a mesa de frente para o palco, porém notou que já estava ocupada por um cara loiro, acompanhado por uma stripper de topless. Ele não ficou nem um pouco surpreso ao notar que se tratava de Christian. Rolou os olhos nas pálpebras e suspirou pesadamente antes de seguir até lá.
— Essa é sua segunda casa, Beadles? — perguntou ao chegar, chamando a atenção do amigo que franziu a testa ao vê-lo ocupar a poltrona branca ao seu lado.
What the fuck? A mamãe parou de escolher suas roupas, Justin? — Chris riu.
— Vai se foder, vai — Justin resmungou, já abrindo a garrafa e furtando o copo vazio do amigo ao notar que não pegara um. Ergueu o olhar e notou que a garota que o acompanhava era Kimberly e que ela parecia incomodada com sua presença. — Boa noite, senhorita.
— Será mesmo? — perguntou, debruçando-se para frente, os seios desnudos balançando, chamativos. — Será que sua esposa está tendo uma boa noite?
— Não sei. Mas se estiver, ela está tendo uma péssima noite em nossa cobertura, na hidromassagem, tomando vinho branco. Sapphire vai demorar a se apresentar? — perguntou e a atitude babaca combinava com aquela roupa, ele pensava.
— Ela é a próxima — disse de modo frio, retomando a postura no braço da poltrona de Christian.
— Kim, você poderia nos dar licença por um instante? Preciso ter uma conversa de homem para homem com Justin — Chris pediu e Kimberly ficou tentada a responder que seria “uma conversa de homem para moleque”, mas apenas assentiu e cochichou algo no ouvido do loiro antes de sair rebolando, o que encheu a boca do mesmo de água. — Ela é uma garota intensa.
— O que ela disse?
— Nada demais. Apenas para procurar por ela quando terminar de falar com o babaca e quiser me divertir um pouco. Você meio que desperta a ira das mulheres — brincou, mas Justin não achou graça. — Kimberly me disse que você beijou a Sapphire. O que me lembra “você não está traindo sua esposa”, não é mesmo?
Justin se lembrou de ter dito aquilo para o amigo e então desviou o olhar. Ele não podia mais negar que se sentia atraído pela stripper. Não eram apenas os negócios que lhe interessavam. O lado artístico realmente era importante, mas não mais do que sua necessidade de estar com ela. Ele buscava em sua mente um contra-argumento, mas não existia um. Selena estava em casa, enquanto ele estava ali por outra mulher. Quando as luzes azuis iluminaram o palco e o alarido de gritos e aplausos começou, ele agradeceu mentalmente por não ter de responder àquilo… e por saber que ela entraria no palco a qualquer instante.
Uma silhueta surgiu no palco, mas era masculina. Um cara carregando uma cadeira. Apenas aquele simples objeto sendo posto no centro do palco já causou arrepios no rapaz, que mordeu o lábio inferior minimamente. Então Earned It começou a soar e a música trouxe consigo a garota de cabelos azuis.
Justin estava embasbacado. Sapphire geralmente usava mais roupas que as demais, jamais expunha muita pele. Mas naquela noite ela usava apenas um conjunto de lingerie com uma cinta liga e saltos altos, levando todos no recinto à loucura.  Imma care for you / Imma care for you. E Justin realmente queria que ela cuidasse dele.
Ela passou a andar pelo palco no ritmo da música, rodeando a cadeira, as pernas longas e brilhantes atraindo os olhos dele como se fossem magnéticas. Sua mão de unhas tingidas de preto corre o encosto da mesma, enquanto ela move os quadris lentamente e ele sente arrepios em sua nuca. Então ela se senta na cadeira e cruza e descruza as pernas lentamente. You make it look like it's magic / Cause I see nobody, nobody / But you. Suas pernas se abrem e se fecham, enquanto suas mãos sobem por seu corpo, como ele desejava fazer. I'm never confused / I'm so used to being used. Ela se levanta e troca de posição na cadeira, de modo que fica de costas para o público. Em qualquer outro tipo de apresentação isso seria um problema, mas naquele caso… estava bem longe disso. So I love when you call unexpected / Cause I hate when the moments expected. Seus quadris iam para frente e para trás com a batida suave da música e Justin podia sentir seu membro pulsar. So I'mma care for you / I'mma care for you, you, you.
Cause girl you're perfect / You're always worth it / And you deserve it. Ela ergueu as pernas no ar e jogou o corpo para trás, os cabelos arrastando no chão e os olhos fixos nos dele. The way you work it / 'Cause girl you earned it / Girl you earned it. Em um movimento rápido ela estava sentada com as pernas abertas de frente para a plateia, de frente para Christian e Justin e em outro movimento ela estava descendo do palco e caminhando até eles. Justin sentia o coração pular no peito, a respiração pesada como se ele tivesse corrido milhas e milhas. Ela para em frente a sua mesa e se debruça sobre ela, os seios fartos perto, enquanto ele tentava não desviar o olhar de seu rosto. Ele abriu a boca para dizer algo, mas nada saiu quando ela esticou a mão para Christian e o puxou pela camisa, chamando com o dedo indicador.
Tudo pareceu ficar em câmera lenta para Bieber. Ela levou seu amigo para o centro do palco e o fez sentar na cadeira. Todos sabiam o que viria depois e pareciam ansiosos por isso. Sapphire não fazia aquilo. Não antes de conhecer Justin Bieber. Ambos estavam saindo dos trilhos, direto para uma colisão. Ela sentou em apenas uma perna dele e moveu os quadris, enquanto o loiro mordia os lábios, sorrindo safado. Uma de suas mãos ameaçou tocar a bunda da garota, mas ela deu um tapa na mesma, se apoiando em seus ombros para passar sua perna para o lado e sentar-se de pernas abertas em seu colo. Ela jogou os cabelos todos para um lado e se moveu no ritmo lento da música, torturando não apenas o cara que fora literalmente arrastado para essa situação, como o amigo que assistia da plateia.
Ela se virou, ficando de pé e rebolando lentamente na frente do rapaz, olhando dentro dos olhos claros de Justin que, de algum modo, pareciam mais escuros enquanto ele tinha uma expressão dura no rosto e a mão esquerda onde estava sua aliança no queixo. Christian colocou suas mãos na cintura dela e dessa vez ela permitiu ser tocada, sentando novamente no colo dele e rebolando até o fim da música sob os aplausos e gritos dos clientes da boate, que jogavam notas no palco, como sempre, mas dessa vez havia muito mais dinheiro. Quando a música acabou, ela se levantou e virou para Christian, vendo o volume em sua calça.
— Oops — disse, sem realmente saber o que dizer, mas ele não parecia constrangido. Nem um pouco.
— Devo colocar dinheiro na sua calcinha? — perguntou e ela travou o maxilar.
— Devo descer a mão na sua cara? — devolveu a pergunta e ele riu.
Ela era definitivamente diferente. Enquanto todas ali se exibiam de forma insinuante, implorando por atenção, Sapphire tinha dignidade. Ele gostou disso. Mas não teve tempo de dizer nada, pois ela apenas deu as costas e saiu andando rumo aos bastidores. Vendo isso, Justin apenas se levantou e a seguiu, como um raio. Não parou para pensar, apenas deixou que suas pernas o guiassem, indo atrás dela com o sangue fervendo nas veias. No corredor dos quartos, ela tinha a mão sobre a maçaneta de sua porta quando ele a segurou, exatamente como no primeiro dia em que se falaram.
— Vai embora — ela disse, sem precisar virar para vê-lo.
Sabia que era ele. Sabia que ele ficaria afetado e era o que ela queria fazer. Queria bater onde doía porque ela poderia dançar para todos os caras solteiros de Vegas, inclusive seu melhor amigo e ele não teria o direito de abrir a boca. Era aquilo que ele ganhava por ter lhe dado esperanças, por ter deixado que ela o desejasse, por tê-la deixado necessitada e sem a possibilidade de tê-lo. Ele recuou um passo, contrariado, mas em um lapso de adrenalina, a girou pelos ombros com força, obrigando-a a olhar para ele.
— Mas que p…
— Você pode me mandar embora, pode dizer que eu sou um canalha, pode falar o que você quiser, mas seu corpo, sua voz e seus olhos não te deixam mentir, Sapphire — ele disse e ela continuou o encarando, sem ação. — Você pode rebolar pro meu amigo, você pode fazer a merda que você quiser e isso não vai mudar o fato de que você me quer. Não importa o quão errado seja, você me quer… e eu te quero.
Ela estava petrificada. Talvez porque ele estava certo. Seu corpo clamava por ele. Ela normalmente não se interessava por ninguém. Quantos clientes entravam e saíam da boate todos os dias… E nenhum deles jamais causara nela o efeito que ele causou. Ela já tinha ficado com alguns garotos antes de se ver obrigada a trabalhar no clube, mas jamais algum mexera com sua cabeça como ele fazia. Ela o queria desesperadamente. Ela apenas queria aquele que não devia ter.
— Sua esposa…
— Não temos que pensar sobre isso agora. Podemos esquecer tudo essa noite… Apenas essa noite. — sua mão subiu de seu ombro para sua nuca, onde ele passou a acariciar seus cabelos, enquanto a outra trilhou o caminho por suas costas até a cintura. — Se você disser ‘Não’, eu vou embora. Eu prometo que te pago os dez mil dólares e sumo da sua vida, mas se disser ‘Sim’…
Ela podia simplesmente aceitar o dinheiro e tirar seu corpo daquela confusão, afinal, aquilo ia contra seus princípios. Ela não queria ser a outra, não queria ser aquele tipo de pessoa. Naquele momento ela pensou em seus pais… O que pensariam sobre aquilo? O quão decepcionados ficariam se a vissem? E Conrad? O menino tinha a irmã mais velha como sua inspiração. Bom, eles não ficariam felizes se soubessem que ela era uma stripper, de qualquer forma. “Apenas essa noite”, ele disse e em sua cabeça nublada ela apenas pensava que uma noite não mataria ninguém.
— Sim — sua voz soou baixa como um sussurro, mas foi o suficiente para que ele ouvisse.

サファイア

N/A: Hello, darlings. Sei que anda difícil acompanhar essa fic já que eu posto uma vez na vida e outra na morte, mas espero que não desistam de mim. Fim de semestre na faculdade é um inferno. Uh, agora as coisas estão esquentando entre eles, porém, ao passo que umas coisas se ajeitam, algumas têm de ruir, não é mesmo? Segurem esse spoiler, haha! Anyway, o que acharam da Sapphire provocando, usando o Christian e desse Justin autoritário? Não deixem de deixar suas impressões nos comentários, é o que me motiva a continuar e preparem o coraçãozinho para o próximo capítulo. Beijos e até lá!
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Um comentário:

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