09/09/2017

Sapphire: Chapter 4 - Cold

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       Os dias demoraram a passar. Nas duas apresentações que fez, ela procurou pelo rosto dele na multidão. Mas ele não estava lá. Pelo menos não de corpo presente. No sábado à noite, Selena fez uma recepção para alguns funcionários de sua empresa, tudo visando novos contatos comerciais… Por mais que Chris estivesse lá, fazendo piada e se embebedando com o champanhe caríssimo, Justin se sentia entediado. A música era chata, as pessoas mais ainda, ele apenas queria sair andando sem olhar para trás. Se o fizesse, com certeza seus pés o levariam ao clube. Diretamente até ela.
         O jantar de sábado resultou em sócios em potencial, que foram convidados para um almoço no domingo e fingir um casamento perfeito era exaustivo. Sorrisos falsos, carinhos falsos, um companheirismo falso. Justin se perguntava se o casal de ricaços que parecia se divertir tanto na companhia deles ainda gostaria de fechar um contrato se soubesse que aquilo tudo era fachada. Que na verdade, o casamento de Justin e Selena era como um barco, cheio de buracos, prestes a afundar.
         Ao fim de tudo, quando se deitaram para dormir, cada um virou para o seu lado na cama, murmurando um “Boa noite” automático. Dormiram e quando ele acordou na manhã seguinte, ela já não estava mais lá. Era como estar casado com o fantasma dela. Ele sempre acordava sozinho. Mas naquele dia ele não se importava.
         Saltou da cama e tratou de se aprontar. Se na noite anterior queria parecer profissional, naquele dia, queria parecer o mais descontraído possível, para que Sapphire se sentisse confortável. Sendo assim, se vestiu com uma camisa social branca, jeans e mocassins. Colocou os óculos no rosto, a bolsa no ombro e pegou a chave do carro na mesinha, praticamente correndo para o elevador. Cumprimentou o porteiro antes de deixar o prédio, como há muito tempo não fazia. Há muito tempo que nada o deixava animado daquele modo. Pegou o Audi R8 preto na garagem e seguiu com destino certo. Nothing’s Gonna Hurt You Baby no rádio, o coração fora do ritmo.
         Sapphire não sabia o que vestir. Em frente ao espelho, corria os dedos pelos longos cabelos. Negros. Ela nunca deixava o clube com as mechas azuis à mostra. Haviam histórias sombrias que ninguém ousava comentar sobre aquele lugar. Histórias de strippers sendo encontradas mortas em vielas imundas, provavelmente a mando de esposas traídas ou caras rejeitados. Sendo como fosse, ela não arriscaria. Por fim, acabou colocando um vestido florido com sapatilhas pretas. Kimberly surgiu enquanto ela passava o batom vermelho, tendo os mamilos cobertos por dois “x” pretos e um short apenas. Sapphire balançou a cabeça de um lado para o outro, rindo fraco.
         — Parece que você está se arrumando para ir à igreja e não à casa do cara mais gostoso que já cruzou nossas portas — a amiga torceu o nariz e Sapphire revirou os olhos.
         — Eu sou stripper apenas aqui, Kim — disse, terminando de tingir os lábios e pressionando-os um contra o outro, olhando a garota pelo espelho.  — Estou nervosa.
         — Nervosa para ganhar dez mil dólares fazendo carão? Ou para passar algum tempo com aquele pedaço de mal caminho? — Kimberly perguntou, irônica, enquanto Sapphire secava as mãos trêmulas e úmidas de suor no vestido. — Por favor, amiga! O que fazemos aqui é mil vezes pior. Agora respire fundo e vai ficar tudo muito mais que bem.
         Aquilo de certa forma realmente relaxou a garota, que seguiu as instruções da mesma e sorriu em gratidão. Kimberly e ela eram completamente diferentes e mesmo assim, se entendiam como ninguém. Elas sempre estariam lá uma pela outra.
         — Benny sabe que está trabalhando por fora, Sapphire? — a voz de Melanie se ergueu, enjoada, enquanto ela adentrava o camarim e Sapphire revirou os olhos antes de se virar para a mesma, arqueando uma das sobrancelhas para a mulher de top vermelho e minissaia jeans. — Tem um cara esperando você lá fora em um carrão. Você faz a puritana aqui, mas lá fora…
         — Cale a boca, Melanie! Ele não veio buscá-la para isto — Kimberly disse, a voz entediada.
         — Sendo como for, Benny não vai gostar de saber — disse, sorrindo de lado e caminhando para mais perto das meninas ameaçadoramente. Os saltos se chocando contra o chão em irritantes toc toc.
         — Benny não tem que saber — Sapphire se posicionou pela primeira vez. Melanie e ela tinham certa rivalidade. Sapphire era tão protegida do chefe quanto ela, afinal, ganhava mais dinheiro para ele do que todas as outras juntas. — Assim como não tem que saber que você anda embolsando mais dinheiro do que deveria.
         A expressão de Melanie mudou de presunçosa para enfurecida tão rápido que chegou a ser cômico, porém em vez de rir, Sapphire apenas passou por ela, enquanto Kimberly a encarava com os braços cruzados, exatamente como uma segurança pessoal. Ela não disse mais nada, apenas se sentou numa das cadeiras de frente para o espelho e o encarou com ódio como se pudesse parti-lo em cacos com o olhar. Kimberly por sua vez, sorriu vitoriosa e voltou ao palco onde ensaiava sua performance daquela noite.
         Assim que passou pela porta, Sapphire mordeu o lábio inferior, tensa. Encostado ao capô de um imponente carro preto, estava Justin. Usava uma camisa e jeans e mesmo assim, continuava fino. Ele abriu um sorriso de lado assim que a viu, arrumando os óculos no rosto com o indicador.
         — Olá, Sapphire. É um prazer revê-la — tentou soar despreocupado, porém a voz rouca denunciava nervosismo. Tudo dentro dele gritava que ele estava fazendo algo errado. E ele ignorava.
         — O prazer é meu — disse e não pretendia soar nada além de educada, mas mesmo assim, Justin sentiu seu corpo todo em alerta ao ouvir sua voz pronunciando as palavras.
         Ele estendeu a mão para a porta do carro e só então ela reparou nas tatuagens em seu braço. Tão sexy, pensou e então sentiu seu rosto queimar enquanto apertava com mais força os dentes na carne macia de seu lábio inferior. Ela adentrou o carro e ele rodeou o mesmo para ocupar o banco do motorista, dando a partida em seguida.
         — Ansiosa? — ele quebrou o silêncio, vendo suas mãos se retorcendo no colo, o vestido se erguendo à altura das coxas fartas com os movimentos, mesmo que sem intenção.
         — Um pouco — ela não olhou para ele enquanto falava, vendo pela janela as ruas passando rapidamente, enquanto ela deixava o lado sujo da cidade e se dirigia para a parte rica. Aquela parte a qual ela não pertencia.
         — Não precisa ficar. Seremos apenas eu, você e a câmera — ele disse e por algum motivo, aquilo apenas fez o coração dela ficar mais acelerado.
         Quando chegaram ao condomínio, passaram direto pela portaria. O carro era conhecido e os vidros espelhados os protegiam. Logo estavam descendo e seguindo em silêncio para o elevador do prédio. Mal entraram no pequeno cubículo e a atmosfera mudou completamente, ficando mais elétrica e excitante. Estava calor. Justin abriu um botão da camisa, Sapphire baixou um pouco uma das alças do vestido, passando a mistura de cabelos negros e azuis para apenas um lado, deixando livre a pele do pescoço. Nenhum deles olhou para o lado, enquanto os ombros se esbarravam. Um segundo a mais e não responderiam por seus atos... Havia algo sobre elevadores que despertava sentimentos irracionais nas pessoas. Quando as portas se abriram, ambos praticamente saltaram para fora. 
         O apartamento dele lhe parecia simplesmente extraordinário. Maior do que qualquer casa que ela já tinha visto antes, mas parecia um lugar frio e solitário. Não haviam muitas cores, todos os móveis  e artigos de decoração carregavam tons frios e neutros. Se fosse a casa dela, teriam cortinas amarelas e quadros florais, com sofás turquesa e uma mesinha de centro azul. 
         — Gostaria de algo para beber, Sapphire? Chá? Café? Tequila, talvez? — Justin metralhou as palavras ansioso e ela percebeu que ele queria que ela recusasse para que começassem logo.
         — Uma água seria bom — respondeu, embora não estivesse com sede e apenas quisesse contrariá-lo.
         Enquanto ele seguiu em direção à cozinha, ela passou a andar pela sala de estar. O enorme piano  negro no centro da mesma era lindo, sofisticado, exatamente como ele. Ela conseguia facilmente imaginá-lo tocando, à meia luz, enquanto seus olhos se perdiam nas luzes chamativas de Vegas, vistas pelo vidro que cobria toda a parede que se estendia à frente do instrumento.
         — Aqui está — ele surgiu, sobressaltando-a e ela pegou o copo que o mesmo lhe estendeu. 
         Colocou os lábios tingidos de vermelho no copo e deixou o líquido fresco arrebatar-lhe a boca. Estava bebendo algo que não vira ser pego, na casa de um estranho. Era imprudente, mas ela não ligava. Algo fazia com que ela confiasse nele. Ela bebeu demoradamente de propósito e ele aguardou, tentando não deixar transparecer sua impaciência. Por fim, quando terminou, ele a fez abandonar o copo na mesa de centro e a acompanhou até um cômodo grande, um estúdio, mas antes que ela entrasse, um brado de “Finalmente!” se fez ouvir.
         — Tony, desse jeito você assusta a moça — Justin riu e ela estava realmente surpresa, afinal, ele tinha dito que seriam apenas os dois. — Sapphire, este é Tony. Ele é maquiador e estilista e vai te preparar para a sessão de fotos.
         — Uau! Não que ela precise de muita coisa, hm? Onde você a encontrou, Biebs? — a voz de Tony soou alegre e afeminada e Justin e Sapphire se entreolharam, rindo da ironia naquela frase. Sapphire imaginou a reação do rapaz se soubesse que ele a havia encontrado num clube para cavalheiros. — E aí cat, pronta?
         Ela não estava, mas não teve a chance de dizer quando ele a guiou para uma cadeira de frente para um espelho iluminado, já abrindo cosméticos e testando paletas de cores em sua pele. Ela direcionou um olhar de “Socorro” para Justin, mas o mesmo parecia se divertir demais com a cena para ajudá-la.
         Tony ligou o rádio, dizendo não conseguir fazer nada sem música e quando o fez, Alarm de Anne Marie começou a tocar, enquanto ele fazia sua arte em Sapphire, mexendo os quadris e cantarolando. Acabou optando por uma maquiagem leve e natural. A garota exótica não precisava de muito mais para chamar a atenção. Quanto aos cabelos, soube que era uma peruca desde a primeira vez que olhou para as mechas, mas não disse nada. Não queria ser indelicado. Em vez disso, puxou as mechas que pendiam sobre o rosto para trás, trançando-as e prendendo atrás de sua cabeça como uma tiara.
         — Que tipo de ensaio teremos? — Tony perguntou, girando a cadeira de Sapphire para que Justin visse o que ele tinha feito até ali. — Vai ser algo sensual?
         Naquele momento os olhos de Sapphire encontraram os de Justin com força, levemente arregalados. Seria aquilo?, se perguntava. Seria aquele o motivo para ele tão insistentemente tê-la convencido a posar para ele?
         — Não exatamente. Eu a quero o mais natural possível. Cores claras, nada de calçados — Justin declarou e a garota sentiu-se como uma boneca que ele vestiria e manipularia como quisesse para fotografar. — Vou separar o equipamento necessário e dar privacidade à vocês.
         Dito isto, ele deu as costas e saiu, deixando-os à sós. Sapphire temia que Tony a fosse interrogar, mas ele não o fez. Em vez disso, estendeu-lhe a mão e a acompanhou a uma área do estúdio com araras repletas de peças de roupas. Algumas delas, explicou, já tinham sido usadas em outros ensaios, mas eles escolheriam algo novo.
         A garota correu as unhas curtas pelos tecidos e agarrou um top branco, solto, de mangas caídas nos ombros. “Sim!”, Tony gritou, sobressaltando-a e eles riram juntos. Por fim, ele agarrou um short no tom mais claro de jeans e combinou as peças, sorrindo e assentindo.
         — Você já pode se despir, honey — disse e a garota continuou imóvel. Por mais que estivesse quase sempre seminua em frente à uma enorme plateia, de repente despir-se na frente de um homem a deixava constrangida. — Oh, cat, vamos lá. Da fruta que você gosta, eu chupo até o caroço.
         Com este comentário a garota riu e se sentiu à vontade para tirar as roupas e enquanto o fazia, o rapaz que não devia ter mais que seus 25 anos passou a falar sobre assuntos diversos. Logo que a ajudou a se vestir, ele a olhou e sorriu satisfeito. Natural. Belíssima.
         — Justin é um esteta nato. Do olho dele nenhuma beleza passa despercebida e talvez seja isso que suas fotografias passem a quem as vê. Ele é um homem incrível.
         E cada vez mais ela concordava com aquilo. Quando enfim Justin voltou com uma câmera e lentes em mãos, Tony cruzou os braços como um pintor orgulhoso ao lado de sua obra. Sapphire inicialmente mirou o chão, brincando com os próprios dedos, mas assim que ergueu seu olhar e encontrou o dele, notou o suave sorriso em seu rosto.
         — Exatamente o que eu imaginei, Tony. Você não me desaponta — disse e o rapaz fez uma reverência, arrancando risadas dos outros.
         — Creio que meu trabalho por aqui esteja terminado — ele bateu uma única palma ao dizer e então se virou para Sapphire, arrebatando-lhe as mãos. — Muito boa sorte, querida. Se solte, quero ver lindas fotografias depois. Aqui está o meu cartão, me ligue ou mande uma mensagem se precisar de qualquer coisa.
         — Dando em cima da minha modelo, Anthony? — Justin fingiu ciúmes, brincando, mas o pronome  possessivo na frase deixou Sapphire sem ar.
         — Por favor, Justin! Me  respeite — gritou, já deixando a sala e Justin riu.
         E então só restou o silêncio entre os dois enquanto Justin a analisava. O espaço branco do estúdio contrastava com os cabelos negros. Justin preferia aquele contraste com o azul, porém não a contrariou. Devia ter seus motivos para esconder as mechas. Perdida enquanto ele ajustava câmera e iluminação, a garota abraçou os próprios braços, acompanhando, curiosa, cada ajuste que fazia. Enfim, quando tudo estava preparado, Justin sorriu. Mesmo que à noite ela estivesse dançando Sexy Bitch com duas peças de roupa ou menos, naquele momento ela parecia inocente, pura.
         — Tudo bem, Sapphire, vamos lá — ele disse de repente e se posicionou atrás da câmera. — Me dê um sorriso suave.
         Seu sorriso nervoso pareceu forçado na primeira fotografia, assim como a expressão séria pareceu tensa na segunda. Clique após clique sua beleza parecia pouco explorada, devido à expressão desconfortável e corpo rígido. Por fim, ele suspirou e colocou os óculos acima da cabeça, massageando as têmporas.
         — Você ainda está muito nervosa, Sapphire. Tente relaxar — pediu e a garota bufou irritada consigo mesma. Perto de suas apresentações, aquilo não deveria ser fácil?
         — Me desculpe... nunca fiz nada assim antes — murmurou e ele pacientemente sorriu para reconfortá-la.
         — Você é linda, Sapphire. Uma das mulheres mais lindas que já vi na vida. Você só precisa ter isso em mente.
         E então ela sorriu. Um sorriso ainda constrangido, contido, porém verdadeiro. Sem avisos, ele disparou a câmera, vendo a fotografia capturada, completamente espontânea. Ele gostou da foto. Estava explícito que ela não era uma modelo, a postura era um tanto desajustada, porém isto apenas destacava aquele ar suave que ela passava.
         — Eu não estava pronta! — gritou alarmada, o que o fez rir.
         — Deve ser por isso mesmo que a foto ficou tão boa — ele disse e ela entreabriu a boca, fazendo-se de ofendida. — Não quis dizer que você é uma péssima modelo, nem nada...
         Ela rodeou a câmera rapidamente pretendendo estapeá-lo, mas antes que pudesse diferir o primeiro golpe, ele segurou seus pulsos e a virou de costas para ele, massageando seus ombros e murmurando que relaxasse. Sua voz rouca, o ar quente em seu pescoço, seus dedos pressionando seus ombros tensos, ela nem sequer se lembrou que desejava bater nele... A garota fechou os olhos e ao mesmo tempo em que estava relaxada, estava agitada. O estômago se contorcia, o coração estava acelerado, a respiração descompassada. Não sabia bem o que estava havendo, mas gostava da sensação. Justin sentiu isso e seu corpo reagiu da mesma forma. Aquilo o assustou. Era errado. Era estupidamente errado.
         — Erm... Acho que algumas sentadas ficariam boas — disse de repente, soltando-a e saindo em busca de algum assento.
         E realmente ficaram. Depois de algumas fotos, ela já não se sentia mais tão envergonhada. Executava as poses e expressões que ele pedia com mais facilidade e ambos riam a cada careta que ela fazia propositalmente. Justin adorou as fotos em que ela estava rindo espontânea. Ele amou cada uma delas, pela primeira vez em muito tempo estava feliz com os resultados e tinha certeza que a diretoria da Vogue também ficaria.
         Quando o sol começou a se pôr, terminaram a sessão e enquanto ele passou a organizar os equipamentos, ela recuperou suas roupas. Ela esperou que ele se organizasse, recostada à parede branca e fria, olhando-o atentamente. O modo como ele mordia o lábio inferior quando estava concentrado e sorria suavemente de empolgação a fizeram sorrir também, enquanto tombava a cabeça para o lado. Por fim, ele a olhou e ajeitou os óculos no rosto, de repente constrangido ao perceber que era observado.
         — Prontinho, Sapphire. Vou deixá-la trocar de roupa e te levo de volta, okay? — perguntou e ela assentiu, de modo que ele sorriu simpático e deu as costas, deixando o cômodo.
         Lá fora, respirou fundo e fechou os olhos, deixando as costas repousarem contra a parede. Tombou a cabeça para trás e bateu repetidas vezes com ela contra o concreto, suavemente. Era tarde demais, ele sabia. Ele desejava a garota de cabelos azuis perigosamente. Queria tocá-la, precisava tocá-la e se sentia horrível por isso. Era terrivelmente errado, mas ele estava tentado a errar. Ainda travava sua batalha interna quando ouviu sua voz se erguer, embora baixa, chamando seu nome. Pensou ser sua mente pregando-lhe peças, portanto esperou que ela o chamasse novamente e assim ela o fez. Sua mão trêmula alcançou a maçaneta e ele a girou, colocando apenas parte do corpo para dentro do cômodo, ela o olhou timidamente e se aproximou lentamente.
         — O zíper emperrou — disse simples, virando-se de costas para ele com um pedido implícito de que a ajudasse a tirar a blusa.
         Ele não respondeu. Apenas entrou e guiou as mãos ao pequeno metal, forçando-o para baixo com certa dificuldade, deslizando e revelando centímetro a centímetro de sua pele rósea, coberta por sutis sinais. Justin deixou que seu polegar corresse sua pele quente, como que por acidente. E enfim, deixou que todas suas barreiras caíssem, tudo o que o mantinha longe de repente parecendo insignificante demais. Seus dedos afastaram a manga da blusa e seus lábios repousaram em seu ombro desnudo, beijando lentamente a área. Ele esperou alguma reação, esperou que ela se afastasse e como não o fez, ele continuou, as mãos descendo para sua cintura, enquanto a boca subia para seu pescoço. A respiração dela ficou mais forte, o corpo menos rígido. Ela não disse nada e ele, preocupado com o que ela pensaria, não conseguiu se conter:
         — Está… tudo bem? — sussurrou, tão baixo que se ela não estivesse atenta, não ouviria.
         Sapphire assentiu, ainda sem dizer uma única palavra e então se virou para ele, cercando seu pescoço com os braços. Queria aquilo tanto quanto ele, se não mais. Antes que pudesse se conter, seus lábios encontraram os dele num beijo lento. Apenas o suave toque dos lábios até que ele pedisse passagem com a língua para encontrar a sua numa dança sensual. As mãos dele subiram de sua cintura para a nuca, a blusa dela quase caindo entre os dois. Foi quando tudo ruiu. Ela sentiu o contato gélido de metal em sua nuca e se afastou bruscamente, quase se desequilibrando. Ofegante, Sapphire puxou a mão esquerda dele para si e encontrou lá o que jamais tinha reparado e o que mais temia encontrar: uma aliança. Resplandescente. De ouro. Ele era casado.
         — S-Sapphire... — ele começou e naquele momento sua boca rosada que ela tanto achava atrativa parecia simplesmente podre. Ela se sentia imunda.
         — NÃO! — gritou, empurrando sua mão, indo para cada vez mais longe. — Fica longe de mim. 
         Ele tentou se aproximar novamente, mas ela o empurrou para longe, gritando que saísse e vendo seu estado, ele o fez, deixando o cômodo e batendo a porta atrás de si, simplesmente frustrado. Não sabia o que fazer ou como se sentir. Ela, por sua vez, se apressou em se livrar das roupas e em vestir as suas. Logo que o fez, saiu do cômodo e cruzou o corredor apressadamente.
         — Sapphire, espera! — Justin gritou quando ela surgiu na sala, pronta para sair do apartamento e por algum motivo, ela parou.
         Parou apenas para ver o quadro enorme que tinha na sala, de uma mulher deslumbrante. Como ela não tinha notado aquilo ali? Estava cega por ele. Só via o que queria ver. Ela percebeu que a foto era composta por centenas de outras fotos dela e se sentiu tonta por um instante. Era como se todos os olhos daquela mulher das fotografias a vigiassem.
         — Esperar para quê, Justin? Para tomar o chá da tarde com a sua esposa? — a menina gritou e a palavra "esposa" passou a ecoar em sua mente. Ela sentia seu estômago embrulhar, poderia vomitar a qualquer instante em seu carpete caro, então simplesmente deu as costas e saiu correndo. 
         Ela não pararia de correr enquanto não chegasse à boate. Ele, por sua vez caminhou até o bar e encheu um copo com whisky, virando-o em seguida em longos goles, pronto para encher outro. Ele era um idiota, estava decidido. Mas não conseguia se sentir arrependido. Ele queria saber o gosto dos lábios dela e agora que sabia, gostava e queria sentir novamente. Uma vez que pecara, estava disposto a perder a alma.
         Sapphire correu e correu e antes de passar pelo portão, viu descer de um carro a dona do rosto estampado no quadro na sala. A dona do cara que havia acabado de beijá-la no apartamento dela. A mulher, com óculos escuros, salto alto e bolsa da Gucci apenas passou inabalável por ela, não se importando com sua presença. Sapphire se sentiu o que todos que a viam dançar na boate juravam que era: uma prostituta e odiou a sensação. Odiou ainda mais que, mesmo depois de saber que ele era casado e que não tinha o mínimo de respeito, ainda o desejasse. Ela estava perdida. Eles estavam perdidos. A partir do momento que se tocaram, pertenciam um ao outro e assombrariam a mente um do outro até que se encontrassem novamente.

サファイア

N/A: Olá, chuchus. Eu sei que demorei, porém tenho uma justificativa: faculdade. Gente, isso não apenas toma meu tempo, mas minha criatividade, então não me odeiem, afinal, eu deixei de estudar para minha prova de Fonética para escrever Sapphire e também, vem vindo novidade por aí. Aguardem! Well, espero que gostem desse capítulo porque ROLOU BEIJO, meu povo. Yaaaay! Mas podem preparar o coração porque as tretas estão prestes a começar. Ah, eu sei que eu quebrei o padrão azul com essa ilustração, mas eu tava cansada de tudo azul, beijos de luz. Enfim, não esqueçam de comentar o que estão achando e de compartilhar com os amiguinhos, é importante. Até o próximo capítulo.
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3 comentários:

  1. Meu Deus Continua isso pelo amor de deus ! Eu te imploro ! Tem Wpp?

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    1. Hoje mesmo tem capítulo fresquinho para vocês. ♥ Tenho sim, sweetie. 11 959036339

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  2. aaaa eu amei d+ continua por favooor!!

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