28/02/2015

Envie sua fanfic: A dama e o vagabundo por @myworldzVEVO

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Nome da autora: Grazy Souza
Idade: 14 anos
Blog: http://fanfics-bizzle.blogspot.com.br
Twitter: @myworldzVEVO



POINT OF VIEW — NARRADOR ONISCIENTE.

Seus lábios estavam contornados por um batom rosa. Os olhos se destacavam na sombra cintilante — assim como o esmalte em suas unhas longas e bem lixadas —, além dos cílios alongados pela quantidade excessiva de rímel. O corpo curvilíneo era bem moldado pelo vestido preto que vestia e o salto em seus pés a deixava com um ar mais elegante. Colleen Summer estava deslumbrante.
Confirmou com sua prima, Carson, a boate na qual iriam. Spider Club. Colleen borrifou seu perfume Chanel no corpo, sentindo o aroma invadir todo o quarto. Pegou quinhentos dólares em sua cômoda e o guardou em uma bolsa-carteira. Conferiu suas mensagens no WhatsApp e respondeu-as, postou uma foto no Instagram e guardou o iPhone dentro da bolsa. Olhou-se no espelho uma última vez e sorriu brevemente com o resultado.
— Colleen, querida, aonde está indo? — sua mãe questionou, olhando-a.
— A Carson me chamou pra ir a uma boate hoje, mãe. Posso ir? — ela pediu, com os olhos azuis brilhando.
— Por mim, tudo bem — a bela mulher de longos cabelos castanhos concordou, olhando sugestivamente para seu marido.
— Seu vestido está muito curto, Colleen. Troque-o, por favor — seu pai disse, com uma carranca no rosto.
— Desculpa, pai, mas — o som alto de uma buzina interrompeu a fala da garota — Ops, Carson chegou. Tchau, tchau, beijos — disse rapidamente, saindo às pressas.
Do outro lado da cidade, Justin Bieber se encontrava devidamente arrumado e pronto para mais uma noitada. Trajava as melhores roupas de seu guarda-roupas, usava seu melhor tênis. Seu rolex de ouro — o qual ainda pagava as prestações — se mantia firme no pulso e o perfume amadeirado e másculo estava impregnado em suas roupas e em todo o ambiente. Ligou para Luke e Shane, confirmando qual seria a boate da vez. Luke repetiu que seria a Spider Club. Justin agradeceu mentalmente por seu amigo ser filho do dono da tal boate, o que significava entradas VIP's grátis.
Após descer do ônibus na esquina, Justin caminhou até a entrada da Spider Club. Trocou algumas palavras com Shane e Luke, antes dos três adentrarem a boate. As luzes neon dominavam o local, colorindo tudo de verde e vermelho. Passaram para a área VIP, onde o fluxo de pessoas era menor que na área comum, onde todos se espremiam uns nos outros em sincronia à música que tocava. Justin seguiu até o bar dali, pedindo uma long neck de Stella Artois. Sentado num dos bancos altos do bar, ele se virou para olhar a movimentação feminina no lugar.
Justin era um homem atraente e sabia disso. Por onde passava atraía a atenção para si, seja ela de mulheres ou homens. Apesar de sua condição financeira não ser favorável, ele fazia o máximo para andar sempre bem vestido e bem arrumado. Não era o tipo de cara que se prendia à uma mulher só. Preferia estar solto no mundo. Voando como um livre beija-flor.
Depois de dar um gole em sua cerveja, os olhos de Bieber a encontraram. Sorrindo despojadamente, enquanto conversava com duas amigas e bebia em goles curtos um copo de Sex on the beach. Ela notou seus olhares e também o fitou. Mel e água. Malícia e inocência. Ele sorriu, levantando a garrafa long neck num cumprimento. Ela retribuiu o sorriso de uma forma mais inocente, dando um gole em sua bebida sem tirar seus olhos do belo homem que a encarava.
— Prazer, me chamo Justin, e você? — ela ouviu e virou-se para fitar o dono da bela voz rouca e grave.
— Me chamo Colleen — ela disse, se sentindo intimidada com o olhar de uma profundidade imensa que o loiro possuia.
— Um nome bonito para uma moça mais bonita ainda — ele soprou, galanteador.
Ela riu.
— Essa é velha — Colleen pontuou, rindo fraco e sendo acompanhada por Bieber.
— Tudo bem, admito que essa foi péssima. Mas dá um crédito, eu sou péssimo com cantadas — ele admitiu — Geralmente, não é preciso dizer uma única palavra.
— Imagino — ela murmurou, um pouco embaraçada com a situação.
— Desculpa se te deixei sem jeito. Como eu disse, sou meio péssimo com as palavras — Bieber coçou a nuca — Acho que estraguei tudo, né?
— Um pouquinho — Colleen disse, gesticulando com dois dedos. Justin riu.
— Então, você vem sempre aqui?
Ela o olhou, arqueando a sombrancelha.
— A boate foi inaugurada ontem, então, tecnicamente, essa é a primeira vez que eu venho aqui — ela respondeu, com um sorriso torto.
— Ok, vou parar de te cantar, porque não está funcionando — ele disse, rindo.
Sorriram um pro outro. Um sorriso que provavelmente dizia todas as palavras necessárias naquele momento. Um sorriso puro, da parte dela, o sorriso que dizia o quão encantada ela estava com aquele rapaz de misteriosos olhos castanhos. Já ele, possuia seu sorriso sacana de sempre, o sorriso da qual mostrava o desejo que ele sentia por ela.
E, com tantas histórias narradas, afirmo que, ao primeiro olhar, um sentimento muito conhecido por mim se acendeu em cada um. Era o famigerado amor. A chama que estava apagada em seus corações fora acesa e queimava, queimava dolorosamente. Mas o amor é assim. Incendeia seu corpo de uma forma dolorosa e, ao mesmo tempo, te deixa em êxtase. É complexo.
Seus corpos suados sobre a cama de casal delatavam o que havia acontecido naquele quarto. A sincronia que possuiam um com o outro era simplesmente incrível. Se completavam. Um arrocheado na região do pescoço dela e os arranhões nas costas dele os entregavam. O sorriso não abandonava ambos os rostos.
Permaneceram juntos pela noite toda. Às cinco da manhã, durante o pôr-do-sol, Justin levou Colleen até um cais. Ele abraçou-a delicadamente por trás, enquanto ela apoiava sua cabeça no ombro dele. Um suspiro foi solto. E, depois daquela noite, talvez nunca voltassem a se ver. Colleen, antes de entrar em um táxi para partir, entregou um pequeno papel para Justin. Nele, havia uma sequência numérica. O número do celular dela, é claro, ele pensou, dando um tapa em sua própria testa.

◈◈◈

Na manhã do dia seguinte, ela acordou com seu celular tocando freneticamente sobre o criado-mudo. Pegou o iPhone em mãos e fitou a tela, confusa. Era um número de orelhão. Deslizou a tela e atendeu em seguida. Seu sorriso nervoso e a expressão confusa se foram de seu rosto assim que ela reconheceu a voz rouca e melodiosa de Justin. Ele sorriu ao ouvir a voz doce e suave de Colleen e praguejou mentalmente sobre as malditas borboletas que bagunçavam seu estômago.
Marcaram de ir à praia. Se encontraram por lá mesmo. Colleen trazia uma bolsa com tudo o que ela julgava necessário e uma cadeira feita artesanalmente. Justin carregava uma prancha de surf, somente. Ele deixou seus chinelos desgastados sobre a areia, ao lado das coisas dela, e logo depois correu para o mar. Colleen colocou seus óculos, pegou o protetor solar e o espalhou uniformemente em seu corpo. Olhou para o mar e lá estava ele, surfando sobre as ondas — não tão grandes quanto ele queria.
— Você não vai entrar? A água tá deliciosa — ele chamou-a, bagunçando seus cabelos molhados.
Ela prendeu a respiração, com a visão das gotículas de água escorrerem lentamente pelo peito e abdomen dele.
— Hã... Eu... Eu — ela perdeu a fala. Ele riu — Ok, vamos — concordou, erguendo o vestido florido que usava e deixando a mostra seu corpo coberto apenas pelo biquini azul escuro.

◈◈◈

O dia havia sido bem divertido para ambos. Curtiram um ao outro. Almoçaram em um restaurante escolhido por ele, era um lugar bem simples, diferente do que ela estava acostumada. Mas, apesar de ser um lugar bem simples e um tanto quanto "pobre", Colleen havia gostado da hospitalidade e atendimento da idosa senhora dona do restaurante, e, principalmente, adorou os pratos apresentados na refeição. Num resumo, foi tudo às mil maravilhas.
E assim os dias foram se passando pouco a pouco para eles dois. O tempo parecia congelar enquanto eles se amavam e — praticamente — fundiam seus corpos suados sobre uma cama. Ela era suave aos toques. Ele era bruto, apertava-lhe as coxas com força, deixando visivel a marca de seus dedos na pele pálida da menina. Os gemidos que saiam da boca de Colleen eram semelhantes a uma sutil melodia. Já Justin soltava sons animalescos, devorando o pescoço dela.
Os gostos não coincidiam, na maior parte das vezes. A personalidade era completamente diferente um do outro. Ela era do tipo que gostava dos romances trágicos e tristes; ele os repudiava, preferia um bom e velho filme de ação. Ela era colorida como o arco-íris; ele era tão sem-graça como o preto e branco. Ela era Yang, ele era Yin. Ela era início, ele era o fim. Eram opostos, mas se completavam, como as peças que faltavam no quebra-cabeças da vida. Opostamente iguais.

◈◈◈

Naquela manhã de sábado, Justin acordara tenso. Precisava causar uma boa impressão aos pais de sua, ainda não oficial, namorada. Levantou-se da cama cedo, às sete, se higienizou devidamente e seguiu até a cozinha, para preparar um simples café. O dia estava claro, o céu limpo e sem nuvens, dando espaço para o sol brilhar livremente. Olhando para o céu, ele lembrou dos olhos dela e um sorriso involuntário tomou conta de seus lábios.
— Que diabos você fez comigo, Leen? — ele murmurou para si mesmo, rindo fraco e dando uma golada em seu café quente.
Às nove e meia da manhã, ele já havia saído de casa. Rodou cada canto de Los Angeles, procurando um terno barato o suficiente para que ele pudesse comprar, mas bonito o bastante para agradar os pais de Colleen. Parou, por um segundo, e pensou consigo mesmo. Talvez se ele usasse um pouco do seu estilo do dia-a-dia numa mistura com a classe e elegância, funcionasse. No fim da tarde, já havia comprado todo o necessário. O jantar seria às oito da noite, o que significava que ele teria uma hora e meia para se arrumar e chegar ao restaurante na hora marcada.
Tomou um banho razoavelmente demorado. Secou o corpo com a toalha e vestiu sua cueca branca, da marca Calvin Klein. Vestiu uma calça jeans escura, uma regata preta — que deixava suas tatuagens a mostra — e um blazer azul. Ergueu as mangas do blazer até os cotovelos e colocou o rolex no pulso. Calçou um tênis branco, um dos pares que ele havia comprado. Seus cabelos foram ajeitados milimetricamente em um topete, sem que nenhum fio de cabelo escapasse do lugar. O perfume amadeirado de sempre preencheu o ambiente e seu corpo também. Por fim, olhou-se no espelho. Estava magnifico.
O caminho para o restaurante reservado pela família Summer havia sido bem calmo. Desceu do ônibus na esquina e seguiu até o lugar incrivelmente grande e iluminado. Lá dentro, tudo parecia ser feito de ouro. Até mesmo os pequenos detalhes das paredes. Pôde avistar Colleen em uma das inúmeras mesas do local, junto com sua mãe e seu pai. Bieber olhou brevemente no relógio, constatando estar atrasado cinco minutos. Bufou.
— Ei, Justin! — ele ouviu a voz melodiosa de Colleen o chamar e sorriu, caminhando calmamente até lá.
— Desculpem o atraso, o ônibus que eu vim se atrasou no caminho — ele se desculpou, não percebendo o olhar reprensivo de Colleen.
— Você anda... de ônibus? — Mackenzie, o pai de Colleen, disse, com um tom de repúdio na voz.
— Ando, algum problema? — Justin replicou, arqueando uma de suas sobrancelhas.
— Nenhum. É que — Mackenzie bebeu um gole de seu vinho tinto — ônibus são utilizados por gente pobre, e pobres, como sabemos, são uma raça nojenta.
Bieber o olhou, incrédulo, mas resolveu não retrucar.
— Então, rapaz, o que você quer da vida? — Jessica, a simpática mulher, questionou.
— Eu quero a vida toda — ele respondeu, com um sorriso espreitando nos lábios.
— Como assim, meu jovem? — Mackenzie fitou-o, confuso com tais palavras.
— É incompreensível, senhor. Nem mesmo eu sei explicar — Bieber confessou, brincando com seus dedos.
— Mas com o que você trabalha? Deixe-me adivinhar, é um empresário? — Mackenzie perguntou, com um sorriso nos lábios.
— Na verdade, eu sou... — ele hesitou — eu sou rapper — sorriu torto.
Mackenzie e Jessica se entreolharam rapidamente. Mas antes que pudessem questionar algo mais, o garçom entregou o cardápio, que fora totalmente ignorado por Mackenzie. Escargot. Este fora o prato escolhido por Mackenzie para todos. Justin suou frio. Um arrepio percorreu sua espinha e um suspiro pesado escapou. Quando a refeição finalmente chegou, Bieber se embaralhou com os talheres todos.
— Eu não sei comer isso — ele sibilou para Colleen, que comia facilmente.
Ela ergueu os talheres adequados e fez uma básica demonstração de como comer aquela coisa. Justin respirou fundo. Olhou para todos na mesa, que comiam aquele bicho como se fosse algo normal. Fitou seu prato, suspirando e apanhando o alicate próprio para escargots na mão esquerda. Pegou o "casulo" com o alicate e, com o pequeno garfo, espetou a carne do animal, fazendo uma expressão enojada. Levou o garfo à boca e mastigou — com muito nojo — a carne do caracol.
Sinceramente, para ele, aquela merda não possuia um gosto específico. A textura da carne era como um simples coração de frango, do qual ele sempre comia, quando possível. O gosto que ele sentia era apenas o das ervas misturadas no azeite. Olhou de relance para Colleen, vendo-a virar delicadamente a concha do escargot sobre um pedacinho pequeno de pão. Resolveu fazer o mesmo. Virou a concha do caracol lentamente, deixando o pouco molho contido ali se derramar sobre a superfície macia do pão.
Sorriu satisfeito.
Justin já havia conseguido comer metade dos escargots que lhe foram servidos e, modéstia parte, acreditava estar se saindo bem. Quando apenas um caracol lhe restava, um erro grave foi cometido. Ao tentar pegar a concha do animal, o alicate escorregou e, consequentemente, o escargot voou, caindo acidentalmente no colo de Mackenzie. Bieber arregalou seus olhos e tossiu, percebendo a grande merda que havia feito.

◈◈◈

Após o fracasso total do jantar, Colleen e Justin não se viram mais. Ela sentia falta do perfume dele. Ele a queria em seus braços o mais rápido possível, para apreciar o aroma de camomila que ela possuia. A saudade apertava o coração de ambos. Porém nada poderia ser feito quanto a isso. Tudo por um simples motivo: Mackenzie havia proibido que Colleen visse Justin novamente.
Colleen se via presa dentro de casa. Sentia-se como a Rapunzel, que vivia reclusa em uma torre, sem chance de sair dali. O condominio na qual morava, lhe parecia minúsculo, comparado a imensidão do mundo. E quando se sentava no jardim, sob a sombra de uma árvore, ela fechava os olhos e imaginava. Imaginava suas mãos unidas firmemente às de Justin, enquanto eles corriam alegremente num campo aberto e florido. Sonhava, sonhava com o sorriso do amado. E tudo o que ela fazia era sorrir.
Justin sentia falta dela e nunca pensou que fosse dizer isso. Mas a vida nos prega peças, não é mesmo? Com ela, ele tinha as sensações mais puras, os sorrisos mais sinceros, os olhares mais genuínos. Mas sem ela... era como se o mundo houvesse perdido as cores, como se as flores dos canteiros tivessem murchado. Ele sentia que uma parte do seu coração estava vazio, e que essa parte só voltaria ao normal quando ela estivesse em seus braços novamente.

◈◈◈

Duas semanas haviam se passado. Colleen não recebia notícias de Justin e, sinceramente, ela começava a desistir da ideia que continuar a lutar por um amor impossível. Doeu tomar essa decisão, com certeza doeu. Mas era necessário. Ela ainda gostava — amava — Justin, mas nutrir esse sentimento estava sendo inútil.
Prestes a dormir, ela suspirou. Olhou para as estrelas através do vidro da janela. Elas brilhavam tanto quanto os olhos de Justin. Oh, droga, e novamente estou pensando nele, ela repudiou seus pensamentos. Comprimiu os lábios e cobriu-se até o pescoço, fitando o teto tediosamente. O silêncio predominava o ambiente, até Colleen começar a ouvir um ruído baixo em sua janela. Achou que era coisa da sua cabeça e ignorou. O som foi repetido mais quatro vezes, até ela se levantar, ligar o abajur em sua cabeceira e ir até a janela.
Um sorriso iluminou seu rosto e seus olhos brilharam tanto quanto as estrelas assim que ela abriu a janela. Adivinha? Visita pra dama, o vagabundo

Notas finais da autora: Oi, então, eu não tenho muito a dizer sobre. Eu só queria agradecer ao blog pela oportunidade de poder postar aqui minha oneshot.
Sobre ela (a oneshot, quero dizer), foi inspirada na música "A dama e o vagabundo", do Oriente. Eu espero que vocês gostem dela tanto quanto eu gostei de escrevê-la.




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Um comentário:

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